Vendi o ginásio - para além de não dar lucro e de trabalhar à borla, o nosso sócio, apesar de boa pessoa, tinha uma cabeça impossível de compreender, confuso, complicado e cheio de ideias tontas. Ou seja, era uma luta contra a situação económica e uma luta para tratarmos da gestão do dia a dia, pois não concordávamos em nada. Vendemos a uma pessoa da família que, essa sim, é do ramo e talvez consiga dar a volta àquilo. Foi um negócio ruinoso: não cobriu, nem de perto nem de longe, todo o dinheiro que lá investimos nas obras. Paciência: é esquecer e andar para a frente. No fundo, herdei este negócio do N., que deixou de ter tempo para se dedicar àquilo, nunca gostei daquilo e ao fim de meia dúzia de meses já o sentia como uma prisão, um peso para carregar. Ou seja: não dava dinheiro, não dava prazer, dava trabalho e ainda tinha despesas de gasolina e outras - mais vale estar em casa!
Agora não sei o que vou fazer: o meu sonho de abrir uma loja ( ao meu gosto, e não "herdada") morreu com esta experiência: descobri na pele que gerir recursos humanos é uma dor de cabeça, e que o valor do investimento inicial, mais valor da renda mensal, mais ordenados de eventuais empregados, mais impostos, tornam quase impossível ter lucro de jeito.Nem percebo como é que há tantas lojas abertas, é mesmo muito mais complicado do que o que eu imaginava.
O que sobra? Trabalhar por conta de outrem - estou parada na minha área há quase 10 anos e tenho 42 anos - quem é que me dá emprego?
Última hipótese - fazer qualquer coisa online. Um projecto antigo, hoje em dia há tanto potencial - preciso de uma ideia vencedora!

